anti-art & culture

TRANS[ACTO] 

2015 | anti-arte & cultura 

estética urbana | intervenção em espaço público – interfaces/novos media 

“FRAGMENTOS DE REFLEXÃO”

por Isabel Maria Dos & José Crúzio

[…] TRANS[acto] na sua edição #01 (em 2015) é a proposição da presença estética através da intervenção em espaço público, como visita e percurso obrigatórios para a focagem no acto estético – do que se pretende trazer ou não à fala em – o lugar invisível – porque de tão quotidiano que é, pode ser por norma sombrio, triste, pesaroso, menos cuidado ou subvalorizado no inquieto e frenético ritmo urbano do dia-a-dia.

O perigo mais tangível para o que chama de “cultura pública” está, para Zukin, na “política do medo quotidiano”. O espectro arrepiante e apavorante das “ruas inseguras” mantém as pessoas longe dos espaços públicos e afasta-as da busca da arte e das habilidades necessárias para compartilhar a vida pública. 

(Zygmunt Bauman, Modernidade Líquida)

Na presença habitual do que é um lugar – local, geográfico, fictício, geométrico – espaço ao qual existe um vínculo histórico-antropológico, TRANS[acto]#01 configura-se como uma proposta que se pretende com a experiência sensitiva, na qual o deambular do espectador visitante, a activação dos sentidos e a(s) sua(s) própria(s) leituras, pessoais e intransmissíveis, se consubstanciam num objecto específico na passagem, passeio e viagem estética e procura de – o lugar trans(formado).

Para leituras (in)abituais dos espaços físicos seleccionados, nesta fase proposta e prometida para junho de 2015 e na Alta da Cidade de Coimbra, acerca do seu sentido e numa vasta amplitude convida-se à reflexão sobre – a percepção sensitiva do lugar – através dos sentidos – como das memórias – quer do habitante ali residente que é quem acolhe, liga e desliga equipamentos electrónicos, que é participante envolvido, activo e efectivo, quer do espectador – da(s) leitura(s) que façam dos espaços que lhe estão associadas e do confronto com a surpresa que é – o novo/velho lugar – resultante da apropriação e recontextualização das características físicas e ambientais dos espaços, de diferentes linguagens poéticas e processos conceptuais, da prospecção visual e experiências de vida, culturais, intelectuais, estéticas e técnicas, individuais, nas propostas de (re)criação efémera dos treze artistas convocados para – o lugar a trans(figurar).

As leituras de – o lugar comungado – bem como o ambiente que o envolve serão os dispositivos de activação sensorial do espectador que recria a obra, fazendo com que seja única, demandadas por um conjunto de sensações e percepções despoletadas transversalmente ao que se encontra à sua volta, como das memórias e a consciência de si em si em – o lugar – como súmula experiencial.

Uma “zona” peculiar, repescando o conceito de Andrei Tarkovsky, onde também na qual dialogam e se confrontam várias concepções acerca do acto de “caminhar como prática estética” (CARERI, Francesco). Nas margens, mas não fora da própria urbe, um espaço em trans(ito) e em contínua trans(formação), na qual o acto do passeio e do caminhar, de apreender, observar e sentir, por sua conta e risco, porém, resultante da proposta de um percurso mediado por novas tecnologias de coordenadas geográficas, com recurso ao Google-Maps ou GPS (Global Positioning System), em o que se deseja ser uma experiência heterotópica que culmina no fruir-usufruir de uma promessa para um novo paradigma(?).

Com as novas leituras de superfícies arquitectónicas encastoadas no casco histórico da cidade – uma ambiência, já de si única, pois definida pelas características específicas da urbe singular, que é a cidade de Coimbra, os actos programados para – treze lugares – anteriormente e habitualmente desabitados do olhar – com as treze criações de plásticas singulares de intervenção imagiológica – nos campos da fotografia, da imagem artístico/científica, da arte do vídeo, para projecção de imagem/ luz – dos treze criadores, assim como os “silêncios” próprios ou sons distintos e memórias dos espaços, o que permite gerar uma oportunidade, já de si irrepetível e contextual, de ambiências muito específicas para diferentes suportes e texturas particulares, de diferentes dimensões definindo um percurso transviado fazendo interagir o antigo espaço com as leituras de – o novo lugar estético.[…]